9/06/2006

quer brigar?!?!?


Não é preciso sofrer de esquizofrenia (embora ser minimamente neurastênico seja provavelmente um pré-requisito) para alguém brigar sozinho com outras pessoas.
A afirmação acima pode soar esquisita se você se atem ao ditado que diz "quando um não quer, dois não brigam". De certo modo é verdade, já que uma rusga só vai acontecer entre duas pessoas se ambas estiverem inclinadas a isso. Mas é mais que possível que altercações homéricas ocorram unilateralmente, sem que um dos lados se manifeste, enquanto o outro arranca os cabelos.

O "brigão passivo", se é que podemos chamá-lo assim, não se envolve no turbulento redemoinho de discussões, zanga e ofensas por motivos que vão desde achar exageradas as reações do brigão ativo - o que torna a cena toda muito engraçada, aliás, pois enquanto um se descabela por razões pífias, o outro ri - até por total falta de inclinação (natural ou momentânea) para brincar daquilo.

Mas o motivo que as pessoas deveriam manter em mente é que às vezes um dos lados da rixa não se manifesta - ou se manifesta tentando botar panos quentes - porque sabe que tudo aquilo pode descambar para algo muito, muito desagradável, caso ele perca a cabeça e resolva entrar na onda.Meu caso.É uma atitude bem inteligente, essa de evitar discutir a sério com as pessoas por conhecer seu temperamento o suficiente pra saber até onde você se dispõe a levar uma desavença. Até porque não existem assuntos dignos ou indignos de discutir sobre, mas pessoas dignas ou indignas de discutir com.Porque têm aquelas mais razoáveis, com quem é possível expor os problemas e negociar soluções.

E têm as outras. Que são metidas a besta demais, ou nervosinhas demais, ou donas da razão demais. Daí pra pior.Quem tenta brigar com alguém e vê que seu (suposto) adversário não faz nada além de rir e tecer comentários irônicos devia cair em si e esfriar a cabeça.

Convenhamos: se um sujeito notoriamente esquentadinho não tá discutindo é porque não existe motivo para tanto.

Porque tudo bem se, vez ou outra, você fizer tempestades tropicais em copos d'água.Mas algumas coisas são simplesmente ridículas!Depois de se meter em incontáveis arranca-rabos, você se cansa disso.

Ou um dia percebe, com o mínimo de sabedoria que a idade há de trazer - infelizmente só para alguns, devo acrescentar -, que não vale a pena, que esse tipo de coisa não traz nenhum resultado positivo. Que é melhor buscar outros meios de dar fim aos desentendimentos.Infelizmente alguns antagonistas não notam que o silêncio de quem ouve o sapo calado não significa que ele notou o quanto está errado, e como o outro está certo, é sagaz, incisivo e genial.

Esse silêncio, via de regra, é pura falta de saco.Então tome cuidado com seus amigos que não brigam, brigões de plantão: pessoas rancorosas nunca mais voltam a falar com você como falavam antes.É o que eu faço.

8/24/2006

ah, as eleições


Foi por causa do voto obrigatório que eu entrei no assunto "eleições". Na verdade, era para estar tudo no mesmo texto, mas como meus post têm a incrível capacidade de se alongarem, ficou em partes.Quase como Kill Bill, mas com um pouco menos de sangue...Este, pelo menos, não tem artigos (juro!). Vi, em dois blogs da comunidade, textos sobre o suposto voto obrigatório. Ambos criticavam o fato do voto ser uma obrigação, em vez de um direito. Fui hoje em um dos blogs, o que tratava o assunto com mais profundidade, para reler o texto, mas não o achei. Talvez tenha sido deletado... De qualquer jeito, após lê-lo pela primeira vez, comecei a pensar se concordava ou não com ele. Depois de ouvir a opinião do namorado, lembrei a matéria de Constitucional da minha última prova e me decidi.Segundo a Constituição, o alistamento e o voto são obrigatórios para os maiores de dezoito anos. Essa obrigatoriedade, porém, não impõe ao eleitor o dever jurídico de emitir necessariamente o seu voto. Significa apenas que deverá comparecer à sua seção eleitoral e depositar o seu voto, assinando a folha de votação. Pouco importa se ele votou ou não votou, considerado o voto não o simples depósito da cédula na urna, mas a efetiva escolha de representante, dentre os candidatos registrados. "O dever político-social do voto é que exige uma tomada de posição positiva do eleitor, com efetiva participação no processo político. Por isso é que, a rigor, o voto branco, o voto vazio, ou o voto nulo não são votos, porque não têm eficácia política. Mas com eles, o eleitor cumpre o seu dever jurídico, sem cumprir o seu dever social e político" (José Afonso da Silva, Curso de Direito Constitucional Positivo). Daí se desprende que o voto é um direito, mas também um dever. Esse dever do voto independe de sua obrigatoriedade jurídica. Há onde o voto seja facultativo, mas sendo um simples dever social, não gera sanção, evidentemente. Puxa, não tem como falar disso sem esse linguajar chato! (...) Internacional, campeão da Libertadores 2006 Pois é, o Inter podia ter o árbitro contra, mas o São Paulo tinha o Rogério Ceni. Como goleiro, ele%